Caçando andróides
Você já assistiu Blade Runner, ou melhor, O Caçador de Andróides? Se não, não perca tempo e providencie uma cópia urgente, um balde de pipocas e se prepare para evoluir filosoficamente.
Mais perdoável seria você não ter lido "Andróides Sonham com Ovelhas Elétricas?". Pois é, o título é este mesmo. Poucas pessoas sabem mas o irretocável filme de Ridley Scott é baseado neste livro. Seu autor é Philip K. Dick que não chegou a ver a versão filmada de seu filme. E vou dizer, ele não sabe o que perdeu. A versão cinematográfica acrescentou questões filosóficas muito mais profundamente. Não que o livro não seja bom, vale muito a pena ler, se você for fã então...
Andróides buscando por mais vida. Isso por si só já é um prato cheio para qualquer filósofo. Mas (cuidado pois lá vem spoiler) a cena do androide líder Roy salvando o seu algoz, o caçador, para se abrir como se este fosse um velho amigo e depois morrer... Simplesmente brilhante. No livro, decepção. O livro não possui tal passagem. Dizem que o ator que interpretou o andróide Roy Batty, Rutger Hauer, improvisou a cena. Se improvisou, o cara além de um excelente ator é também um gênio.
Interessante pois apesar de parecer, Roy não perdoou Deckard, o caçador, mas resolveu deixá-lo viver, por entender que isto o manteria vivo de alguma forma. Antes de morrer, Roy fala de todas as maravilhas que viu e que nenhum ser humano sequer vislumbrou e diz que tudo isso se perderá como lágrimas na chuva. Vemos a preocupação do andróide em preservar o que considerava valioso, talvez mais do que sua vida. Esta se tornara o receptáculo de informações únicas acumuladas em sua curta, mas intensa, vida. Nos últimos momentos de sua existência ele tenta passar um pouco de suas experiências para Deckard e morre. Troca de receptáculo.
Talvez esta consciência de imortalidade é a que procuramos e apenas no fim aceitamos. Viveremos em quem deixamos. Continuamos a viver na memória dos que ficam. Nossa essência desta vida ficará exclusivamente nos atos e lembranças que deixamos para as pessoas com quem convivemos.
A consciência disso pode mudar a maneira como lidamos com a vida e até com a morte. Nossa vida deixa rastros. E o melhor é que estes rastros sejam resolutos, limpos, belos e que muitos desejem segui-los. Boa caminhada.
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