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Caçando andróides

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Você já assistiu Blade Runner, ou melhor, O Caçador de Andróides? Se não, não perca tempo e providencie uma cópia urgente, um balde de pipocas e se prepare para evoluir filosoficamente. Mais perdoável seria você não ter lido "Andróides Sonham com Ovelhas Elétricas?". Pois é, o título é este mesmo. Poucas pessoas sabem mas o irretocável filme de Ridley Scott é baseado neste livro. Seu autor é Philip K. Dick que não chegou a ver a versão filmada de seu filme. E vou dizer, ele não sabe o que perdeu. A versão cinematográfica acrescentou questões filosóficas muito mais profundamente. Não que o livro não seja bom, vale muito a pena ler, se você for fã então... Andróides buscando por mais vida. Isso por si só já é um prato cheio para qualquer filósofo. Mas (cuidado pois lá vem spoiler ) a cena do androide líder Roy salvando o seu algoz, o caçador, para se abrir como se este fosse um velho amigo e depois morrer... Simplesmente brilhante. No livro, decepção. O livro não possui t...

Redução da maioridade penal e Democracia

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O filósofo Hélio Schwartsman escreveu em usa coluna do jornal "Folha de S. Paulo" que mesmo não concordando com a redução da maioridade penal, acha inevitável que a sociedade brasileira decida mais cedo ou mais tarde pela medida. Cita recente pesquisa do Datafolha onde figura que 87% da população concorda com a redução e lembra que a votação da PEC na Câmara contou com cerca de 67% de concordantes, dentre os presentes, dispostos a prender jovens de 16 anos por crimes. Segundo Schwartsman este anseio deverá culminar na aceitação da redução em virtude da esmagadora vontade popular, atribuindo isto a um revés da democracia. Concordo em parte. Acredito na democracia, apesar de tudo, e a considero ainda o meio mais aceitável de governar um país de tamanho continental como o Brasil, mesmo que a vontade neste caso sempre seja viciada em algum nível. A vontade, apesar de óbvio, deve ser a vontade real e não apenas uma resposta emocional e impulsiva. Falta informação para a maio...

Realidade na real - parte 2 - o paladar e o olfato

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E o paladar? Você sabe o que é gostoso, salgado, doce, ácido, desagradável e estragado, bastando que coma um pedacinho de um alimento. Associado ao olfato, muitas vezes nem colocamos um alimento passado ou vencido na boca já que detectamos sua condição precária de conservação só pelo cheiro desagradável dela. Já observou os animais carniceiros? O urubu e a iena comem restos de animais putrefatos, cheios de vermes e infestados de culturas de bactérias maiores que a população mundial. Você pode ter perguntado como estes seres suportam o cheiro de tais alimentos, o que dirá do gosto. Como podem comer algo que cheira mais a enxofre do que o próprio capeta? A ciência atribui propriedades aos materiais ou matéria. O grupo de propriedades que são percebidos por nossos sentidos são chamados de organolépticas. Estas propriedades, a meu ver, nem deveriam ser chamadas de propriedades, pois variam de seres para seres e até mesmo podemos admitir variações dentro de represen...

Realidade na real - o tato

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Você confia nos seus sentidos? Acredito que sim, afinal foram eles que ajudaram na sua sobrevivência até agora. Nada mais justo. Contudo, afirmar que eles merecem credibilidade quanto à fidelidade da imagem no seu cérebro...Bom, aí há controvérsias. Mas sejamos justos, o cérebro conspira com seus sentidos. Vejamos o tato. Sensações de frio e calor são reais? Claro que são! Você diria categoricamente, afinal tomar aquele cafezinho frio é uma tristeza, já um chocolate quente no inverno, humm... Na outra ponta da história, experimente pegar o ferro elétrico com a mão quando você acidentalmente esbarra nele e o derruba da tábua de passar. Eu fiz esta besteira e a marca em "V" que ficou na palma de minha mão confirma que o ferro estava bem quente. E o isopor? Experimente tocar em algo feito de isopor. Pode ser a caixa onde você guarda as cervejas e gelo nas festinhas na sua casa. Já tocou? Então ele é quente ou frio? Agora encoste em uma pia de mármore ou granito. Melhor aind...

Solidariedade e vida após a morte

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Apesar do título sugestivo não vou, ao menos por hora, aprofundar em nenhum dos temas provocados. Acho que seria bom registrar algumas impressões antes de falar sobre estes assuntos tão espinhosos, contudo, muito interessantes. Um medo inato do ser humano é com a morte. Mas que medo estranho é esse? Reparou que os animais não a temem? Digo, no contexto em que a tememos. Veja que um cão velho não perde um cochilo sequer por causa da preocupação com a chegada da sua morte. Mesmo os animais doentes, vivem o melhor que podem sempre. Eles se auto preservam mais para evitar a dor do que a morte. Já os humanos preferem, via de regra, a dor do que a morte. O ser humano é o único animal que consegue morrer antes da morte. Note que a notícia de uma doença incurável nos leva, no mais das vezes, a uma depressão profunda. A vida perde o brilho mesmo antes que a doença se manifeste. Tememos a morte mesmo sadios e jovens. Nossa cultura, particularmente, fica muito pouco a vontade ao abordá-la. O...

Porque você não trocaria sua vida dura por uma fabulosa mas irreal vida na matrix

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Para quem já assistiu a Matrix, ou seja, é um ser humano normal, não precisarei explicar muito o que seria viver em uma.  Mas se você é uma destas pessoas que não viram o filme, ainda resta um fio de esperança para ser incluído na raça humana, afinal está lendo este texto. Também para você é esta sucinta descrição do que é a matrix (não se preocupe, prometo que a explicação não conterá muitos   spoilers ). No filme, as máquinas utilizam o artifício (a matrix) para manter os humanos mentalmente saudáveis. Seus corpos são drenados de seu excedente energético do qual as máquinas necessitam enquanto dormem em animação suspensa em casulos artificiais, eternamente sonhando com um mundo irreal mas suficientemente paupável para nossas mentes. Todas as necessidades biológicas são mecanicamente supridas e a mente não se deteriora com o sono vitalício, pois é constantemente estimulada através do mundo criado pela matrix. Bom, ocorre que, supostamente, viver na matrix não é tão ruim ...

Suas decisões são racionais ou aleatórias?

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O quanto você acredita na racionalidade de suas decisões? Elas são baseadas em critérios bem pesados e testados? São fundadas em sua sólida experiência ou você simplesmente escolhe aleatoriamente um dos caminhos a trilhar? Tenho certeza que você respondeu pertencer a pessoas do primeiro grupo. Na verdade, quase ninguém admite estar no segundo grupo, ainda que em algum nível todos estejamos. Todos gostamos de ter controle total sobre nossos atos e decisões. Na verdade, o ser humano não responde bem ao acaso e ao imponderável. No livro "O Andar do Bêbado", seu autor Leonard Mlodinow explana deliciosamente sobre o assunto, aplicando o tema ao nosso dia a dia, aos esportes e ao cinema por exemplo. Recentemente, sofri de eczemas (inflamações na pele) que me incomodaram por uns bons dois meses. Fui a dois dermatologistas de uma mesma clínica. A primeira me recomendou corticóides potentes por nada menos que 40 dias, além de pomadas de uso tópico, proibindo banhos longos e muit...

Interpretendo os livros sagrados - Trocando o certo pelo incerto

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Independente de sua fé e de sua religiosidade, a lógica humana sempre terá papel em sua vida. Basta dizer que você é humano, se não 24 horas, ao menos a maior parte de seu dia. Isso posto, me parece muito  estranho que muitos líderes religiosos interpretem de forma direcionada e ilógica seus livros sagrados. Explico: não raro afirmações contundentes e certas destes livros são trocadas,deliberadamente, por interpretações escabrosas, cheias de manobras e com hermenêutica questionável. Por exemplo, se um determinado livro sagrado prega o amor ao próximo como lei e dogma eu não poderia inferir que uma condição, como seus hábitos alimentares ou sexuais me livrassem do dogma. Veja bem, se a entidade sagrada, seja ela qual for, se importasse mesmo com estes desvios, certamente teria colocado estas ressalvas nos seus ensinamentos. Algo mais ou menos assim: "Amar ao próximo como a ti mesmo, principalmente se vós sois suicida". Ou "Não levantará falso testemunho, salvo se fo...

Discussão entre um anjo e um demônio

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O demônio calmo e quase resignado suspira, cansado e muito farto daquele papo todo. Afinal, porque tinha ele que dar conforto, sendo ele próprio um agente do mal? Para às favas com tudo, afinal ele tinha mais o que fazer, aliás, queria curtir não fazer o que precisava fazer. O anjo, por sua vez, estava irritadíssimo e seu semblante não condizia mais com a imagem que se espera de um ser celestial. Na verdade, aquele anjo fugia de qualquer estereótipo humano, mais verdade ainda, cabe dizer,   é que nenhum anjo correspondia a qualquer descrição humana. Nenhum desenhista, escritor, escultor, clérico ou herege jamais imaginou uma imagem próxima da realidade. O fenômeno se repetia, como o esperado, com a figura do diabo... Na verdade, tais entidades não possuíam matéria ou mesmo forma. Não se comunicavam como nós ou sequer utilizavam qualquer forma linear de comunicação ou raciocínio. Não sentiam o tempo como sentimos. Não possuíam nossos valores. Não tinham nossos sentimentos...

Qual seu nível de paranóia?

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Sem querer fazer um tratado sobre psicologia vou me permitir viajar em uma das nuances da variabilidade da pessoa humana, mesmo porque estou longe de ser capaz de analisar os limites entre o TOC, Transtorno Obsessivo- Compulsivo, e a “normalidade”. Pelo pouco que sei o TOC seria uma doença que afetaria sobremaneira a vida do doente resumindo seu comportamento ao capricho das “manias”. Assim popularmente chamadas as irresistíveis compulsões de, por exemplo, lavar as mãos até quase que arrancar a pele, verificar se as portas da casa estão trancadas inúmeras vezes em uma noite ou, como bem retratado no filme com o magistral Jackie Nicholson, “Melhor Impossível”, não pisar em linhas ou riscas do chão. A série “Monk” também aborda o tema mostrando um detetive tão genial que, creio eu, não poderia se tornar uma série de TV de tanto sucesso não fossem as hilárias confusões que o TOC lhe proporciova. Comédias à parte, o caso é sério. Enfim, não sendo da área da psicologia, mas apenas um c...

O que veio primeiro o aborto ou o óvulo?

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Quem já não ouviu a célebre pergunta: O que veio primeiro a galinha ou o ovo? Geralmente utilizada como pergunta retórica, simplesmente para retratar ou ilustrar situações insondáveis, a questão, na verdade, é cheia de ciência. A controvérsia, aparentemente sem solução, abriga um peso teórico que abarca de Darwin a questões de direito. Sim, questões de direito. Tentarei explicar a seguir sucintamente. Ao assistir uma sisuda aula de direito, brilhantemente ministrada por um renomado professor de direito civil, o clima de seriedade foi quebrado quando este conseguiu introduzir a questão galinácea na matéria. Afirmou o mestre que a pergunta tinha, sim, uma resposta. Saiu-se com essa, como que se naquele momento retirara a Excalibur da pedra:   - Na verdade, o que surgiu primeiro foi a galinha, pois, o ovo já existia, vejam que os dinossauros já nasciam de ovos há tempos antes do projeto da galinha. Boa resposta, pensei, e ainda que não tenha concordado plenamente preferi não ...

Vitamina D, protetor solar e outras mazelas

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Tentarei resumir o pouco que aprendi nas minhas pesquisas sobre vitamina D, como não sou médico, bioquímico e muito menos nutrólogo (ainda não pelo menos) pode e deve haver um monte de impropérios e erros técnicos, mas nada que possa reverter a noção geral do que é passada, essa sim, o mais importante. Fato: Vitamina D também conhecida como calciferol, na verdade, não é propriamente uma vitamina, mas um produto denominado de pré-hormônio, visto seu papel essencial para a formação do hormônio esteroide humando calcitriol, fundamental para pelo menos 200 funções genéticas ligadas direta e indiretamente com nosso sistema imunológico. Sua importância é tamanha que a “natureza” nos garantiu a sua produção por meio da pele  (semelhante à fotossíntese das plantas pelas folhas)  e não por via oral, visto que poucos alimentos nos fornecem a vitamina em doses consideráveis ou suficientes (óleo de fígado de bacalhau é uma rara exceção). Se tivéssemos que adquirir a vitamina D pel...